quinta-feira, 11 de setembro de 2008

CDF


- Quanto você acha que vai pesar?
- 3,200!
- Não, 3 Kg no máximo.
- Eu acho que vai ter 3,100.

E assim, como quem especula sobre o peso de um saco de feijão, minha obstetra, a anestesista, a obstetriz e as enfermeiras conversavam animadamente enquanto eu esperava para me tornar mãe. Quando o Flávio entrou no centro cirúrgico eu vi que ele estava com os ombros tensos e um pouco pálido. A mulherada perguntou se ele estava nervoso e ele disse que não. Então tá.

Ele ficou de pé e espiou o que estava acontecendo atrás do lençol azul, apertou minha mão bem forte e disse 'estou vendo o pezinho!'. E aí aquele 'buá, buá, bué'. Trouxeram meu filho para perto de mim e eu, ao contrário do que se diz ser a primeira reação das mães, não contei quantos dedinhos ele tinha ou verifiquei se era mesmo menino. Eu não conseguia era parar de olhar para a carinha dele. Que lindo! Vermelho de chorar, melecado de tanto tempo na minha barriga, amassado de ficar dentro d'água por nove meses e lindo!

Levaram ele para ser pesado, medido, apertado e esticado. Então um médico se sentou perto de mim e começou a falar: seu filho nasceu com 3,080Kg, 48,5cm e é um 9-10 na escala Richter, ou o que seja. E então, enquanto o Flávio o levava para conhecer os avós, tias e tios, eu era revirada, queimada e costurada numa felicidade que não podia ser só efeito da anestesia. Era um sentimento novo e maravilhoso: meu filho tinha tirado dez!

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